Reis Magos x Literatura

Por Agnério  Evangelista  A história dos magos nós a conhecemos, em primeira mão, pela Bíblia em Mt. 2,1-12. Vejamos o versículo 11: “E tendo entrado na casa, viram o menino com Maria, sua mãe, e, prostando-se o adoraram. Em seguida, abriram seus cofres e ofereceram como presentes: ouro, incenso e mirra”. Em estudo mais aprofundado, sabe-se que os magos não eram reis, mas estudiosos das coisas divinas e naturais, em especial a Astrologia. Talvez fossem chefes de aldeias da Pérsia, Iraque ou Babilônia. O certo é que eles saíram da terra deles à procura do menino Jesus. Quanto aos presentes, o ouro simboliza a realeza, o incenso a divindade e a mirra a humanidade do Messias. Essas figuras simpáticas são colocadas nos presépios de nossas casas e das igrejas. Trazem em suas faces expressões de ternura e beleza. Talvez, o primeiro a presentear o recém-nascido, tenha sido Baltazar, o africano, que, com sua humildade e simplicidade ofereceu o incenso; Belquior que ostenta ares de chefia, poderia ter entregue a mirra; Gaspar que tem postura digna de rei, oferece-lhe o ouro. O mais notável é que o ambiente formado por eles com as presenças de Jesus, Maria, José, os pastores e alguns animais é comovente e enternecedor. Acredito, que, baseado no episódio bíblico, muitos Ternos de Reis se formaram pelo interior do Brasil, pois as folias de reis correm à larga pelo sertão brasileiro, trazendo alegria aos lares com suas batucadas e cantorias ao som de gaitas, tambores, violas, reco-recos e outros instrumentos. Virou folclore dos mais representativos do povo de nossa terra, fazendo parte de nossa cultura e que se encontra ainda em alta evidência.  Com início em 1º de Janeiro, os reizeiros cantam, tocam, dançam maravilhados com o nascimento de Jesus cuja culminância se dá no dia 6 do referido mês. Vejamos alguns versos populares na base da Redondilha Maior: “Porta aberta e luz acesa Recebei com alegria Recebei os Santos Reis Filhos da Virgem Maria.   Filhos da Virgem Maria A verdade já vos digo Maria cheia de graça O Senhor está contigo   O galo canta na serra O Senhor é garantido Foi ele quem deu a nova Que Jesus era nascido.   Vinte e cinco de Dezembro Jesus Cristo foi nascido No dia 6 de Janeiro Ele foi reconhecido.   Já sairam as três Marias De noite pela rua Foram atrás de Jesus Cristo Mas não puderam achar Foram encontar com Ele em Roma Revestido no altar Com o cálice bento na mão Missa nova a celebrar!” Adentrando mais um pouco a literatura, vamos encontrar o poeta Cassiano Ricardo, da 1ª fase do Modernismo Brasileiro, com um texto bastante reflexivo: “E prá ouvir a sua história Vieram três reis encantados: Um vermelho, o que lhe trouxe A manhã como presente, Outro branco, o que lhe havia Feito presente do dia; Outro preto, finalmente, Rosto cortado de açoite O que lhe trouxera a noite...” O poeta expressa a formação da raça brasileira, tendo por base: o índio, representado pelo rei vermelho; o colonizador português, simbolizado pelo rei branco, e o negro vindo da África, aqui representado pelo rei preto. Foi a mistura dessas três que gerou o povo brasileiro, miscigenado, paciente, resignado, cuja cor dominante atualmente é a parda. Grandes foram os presentes desses reis para a formação do povo brasileiro. Grandes também são as esperanças que temos em ganhar a misericória divina com Chuvas benfazejas para todo o Nordeste, Saúde para todos e Felicidade são, com certeza, os presentes mais esperados neste Ano Novo. Outros três bons presentes em muito e em tudo dependem de nós e dos governantes: acabar com o Analfabetismo, a Corrupção generalizada e o tráfico de Entorpecentes.
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