Crônica: Fumaça Branca

Por : Profº Agnério

Há muitos anos, o mundo não ouvia uma notícia de impacto: a renúncia de um papa. Mas houve, ocorreu nesses primeiros decênios do século XXI. Uma atitude corajosa e humilde de Bento XVI em alegar que deixava o trono petrino por falta de forças físicas e pela idade avançada. Não mencionou pressão de seus subordinados, incapacidade moral em conduzir a igreja rumo à modernidade, nada; apenas viu que estava na hora de outra pessoa com melhor saúde  assumir com responsabilidade a chefia da igreja fundada por Jesus Cristo.

De repente, começa o conclave. Cardeais do mundo inteiro dirigem-se a Roma para eleição de um novo pontífice. Começa também a correria de inúmeros jornalistas e fotógrafos ao Vaticano.  Havia muita especulação, apostas, opiniões diversas, muitas perguntas;.  se o novo papa sairia da Europa ou da América, da Ásia ou da África. Não importa, tinha de ser um cardeal mais jovem, menos conservador, mais progressista, sobretudo moderado.

Entretanto, de tudo o que mais se encantou, não foi o aglomerado dos Príncipes da Igreja, não foram as celebrações nem a cor escarlate dos cardeais. O encantamento maior foi aquela chaminé, divinamente instalada no telhado da Capela Sistina. Era para ela que todos olhavam e esperavam uma fumaça. Era nela que as lentas estavam apontadas. Ela era o foco principal da TV e da midia. Cardeais de ficha-suja não podiam concorrer. A fumaça preta era sinal de que alguém não obteve 2/3; mas, quando veio a fumaça branca, que alegria! “Habamos papam”. O Espírito iluminou e o novo chefe da Igreja Católica estava eleito. Era o Cardeal Dom Jorge Bergoglio da Argentina. Que grandeza! Um sul-americano, que maravilha! Um nome digno e de ficha-limpa.

O novo papa escolheu o nome de Francisco, porque quer uma igreja pobre para os pobres. Não quis e não quer as honrarias de rei, imperador ou gente poderosa. Deseja trabalhar para os pobres assim como trabalhou São Francisco de Assis.  Sua simpatia e simplicidade já se espalhou pelos quatro cantos da Terra. É a pessoa mais falada na imprensa do mundo todo e nas redes sociais. Uma figura ímpar.

Impacto maior será  o dia em que se encontrar com o papa emérito. Serão dois sumo pontífices vivos conversando. Caso inédito, nunca visto na história da igreja. Todos estão a esperar uma igreja modernizadora e caminhante com o povo em que Bento não pode fazê-la. Porém, não esperem que o papa ultrapasse os limites do Evangelho com aprovação de aborto e legalização de casamento gay. Esperemos algo mais consciente e necessário como o diálogo com outras crenças, a questão do celibato não como imposição,  mas como opção; moderação no culto aos santos e breves modificações devocionais.

Bem escreve Rita Celia M. Torreão no jornal A Tarde, caderno Populares p. 4: “A escolha do nome de um místico cristão, Francisco de Assis, revela que a Sua Santidade encarnará a mística cristã. Seu amor será ação em direção à vida e ao próximo. Sua tarefa talvez seja parecida com a de Paulo, o apóstolo, que deixará seus interesses, sua racionalidade, para entregar-se ao fogo divino do Espírito Santo. É daqui do extraordinário, que acredito que Francisco será mais religioso do que político, mais místico do que religioso, um cristão que viverá para o amor Cáritas”

Desta forma, a igreja dos pobres conquistará as pessoas ricas que são pobres na fé e os pobres que são ricos em espírito de modo a se tornar mais universal em que a condição de salvação seja extensiva a toda a humanidade.






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UM Comentário

  • 25 mar 2013 | Permalink |

    eu nâo tenho duvida que o papa foi o escolhido do espirito santo para transformar o mundo ele vai levantar a nossa igreja.

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