Tráfico internacional de mulheres usa 26 municípios na Bahia como rota

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Mais de 20 milhões de pessoas são traficadas no mundo. O número assustador foi revelado ontem pelo arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, Dom Murilo Krieger, durante o lançamento da Campanha da Fraternidade 2014, na Catedral Basílica.

O tema deste ano é “Fraternidade e Tráfico Humano”, que tem como objetivo levar o assunto para discussão dentro da sociedade. “Esse tipo de crime torna as pessoas indefesas, invisíveis e fragilizadas. Nosso papel é ajudá-las a encontrar um caminho e a buscar soluções contra esse mal”, afirmou Dom Murilo. Na Bahia, 26 cidades são rota de tráfico de mulheres.

A informação é da advogada Regina Machado, que ficou surpresa com o tema da Campanha. “Sempre esperei que a Igreja falasse neste assunto. Este ano, o Brasil vive um momento propício por causa da Copa do Mundo, e esse é o momento ideal para alertar as pessoas sobre um crime ainda considerado invisível”, declarou Regina, que também é coordenadora do núcleo de enfrentamento do tráfico de pessoas na Bahia.

Dentre as cidades baianas que mais aliciam mulheres estão importantes polos turísticos como Porto Seguro, a região de Camaçari, o Litoral Norte, Morro de São Paulo e Salvador. A advogada explica que “são locais que atraem muitos estrangeiros, inclusive os que fazem parte da máfia internacional do tráfico”. Ainda segundo Regina Machado, as vítimas recebem promessa de emprego no exterior, com salários muito altos, mas quando elas chegam à Europa, principalmente Espanha e Portugal, a história muda.

No trabalho de combate ao tráfico de pessoas, a CPI de enfrentamento ao tráfico e a Igreja Católica pretendem atuar de acordo com o papel desenvolvido por cada um deles. “Vamos apurar, pressionar e exigir que o governo atue contra o tráfico de pessoas”, afirma Regina Machado. Já a Igreja disse que vai reivindicar por políticas públicas. “As 280 dioceses vão trabalhar o assunto nas suas comunidades, para esclarecer a população de como e a quem procurar ajuda”, pontua Dom Murilo Krieger.

Falta de estrutura

Tanto a coordenadora quanto o Arcebispo ressaltaram a importância do preparo para as pessoas que vão acolher essas vítimas, já que a primeira dificuldade delas é encontrar quem as ouça. “O primeiro contato delas não é com a família, mas com ONGs, Embaixadas ou Consulados. Por isso, precisamos capacitar as pessoas que fazem esse tipo de trabalho”, destaca Regina Machado. No caso da Igreja Católica, Dom Murilo reforça que “as pastorais podem ajudar no acolhimento e encaminhamento dessas pessoas traficadas”.

O tráfico de pessoas é o terceiro delito mais cometido no mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas. “A falta de estrutura é um grave problema enfrentado pelas vítimas, principalmente quando elas chegam a alguma delegacia de cidade pequena, e a própria polícia não acredita quando elas dizem que estão sendo aliciadas”, conta Regina Machado.

Fonte: Tribuna da Bahia






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