Dinheiro de Geddel veio de propina e de salários de assessores, diz MP

A Procuradoria-Geral da República divulgou detalhes da denúncia contra o ex-ministro Geddel Vieira Lima, a mãe e o irmão dele.

Uma fortuna que vinha sendo acumulada desde 2010. Foi assim que a família de Geddel Vieira Lima chegou aos R$ 51 milhões encontrados em malas e caixas. A denúncia da Procuradoria-Geral da República sobre lavagem e associação criminosa detalha como funcionava o esquema.

O ex-ministro Geddel, o irmão dele, o deputado federal, Lúcio Vieira Lima, os dois do PMDB, e a mãe deles, Marluce, se associaram para esconder o dinheiro, primeiro no closet da mãe, depois em um apartamento em Salvador.

Segundo a procuradoria, dois operadores se encarregavam de movimentar o dinheiro em espécie, e um empresário ajudava a família a lavar o dinheiro comprando imóveis, em um total de R$ 12 milhões.

Sobre a origem do dinheiro, procuradores afirmam que parte foi de propinas pagas em espécie, de órgãos públicos e privados, envolvendo políticos do PMDB: R$ 20 milhões vieram do operador do PMDB, Lucio Funaro, desvios na Caixa, onde Geddel foi vice-presidente de Pessoa Jurídica de 2011 a 2013. E quase R$ 4 milhões da Odebrecht, propina em troca de favores de interesse da construtora.

E tem dinheiro também de salários de assessores, que eram pagos pela Câmara, mas que o Ministério Público desconfia que só faziam serviços particulares e eram obrigados a entregar parte do salário à família.

Ao esmiuçar todo esse esquema de pagamentos, a procuradora Raquel Dodge pediu providências: um inquérito para investigar essa devolução de salários e também medidas restritivas ao deputado Lúcio Vieira Lima e à mãe, acusados de manipular provas e atrapalhar as investigações.

O Ministério Público pediu que Lúcio Vieira Lima cumpra recolhimento domiciliar noturno nos dias de trabalho e que fique em casa nos dias de folga, e que use tornozeleira eletrônica o tempo todo. E, para a mãe, prisão domiciliar e tornozeleira.

O ministro relator, Luiz Edson Fachin, pode decidir sozinho ou levar o caso para a Segunda Turma. É o colegiado que vai analisar se Geddel, parentes e operadores viram réus. Ainda não há data.

O que dizem os citados

A defesa declarou que Geddel, Lúcio e a mãe deles jamais praticaram qualquer ato que pusesse em risco a instrução criminal ou a aplicação da lei penal.

A defesa de Job Ribeiro disse que não concorda com a denúncia, mas que o cliente colabora com as investigações.

O advogado de Gustavo Ferraz declarou que vai provar a inocência do cliente.

O Jornal Nacional não localizou Luís Fernando Costa Filho.

Fonte: G1 – Jornal Nacional






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