O silêncio dos bons

Dentre os pensamentos que mais têm me incomodado ultimamente, daqueles que vira e mexe bate forte na porta do meu coração, destaco o de Martin Luther King Jr. que diz: “O que mais preocupa não é nem o grito dos violentos, dos corruptos, dos desonestos, dos sem caráter, dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons”.

 

Tenho tentado entender porque tais palavras têm me incomodado tanto.

Mesmo não me considerando bom, ainda não perdi a noção do que seria bom. E, ainda que eu mesmo, como Paulo, nem sempre consiga fazer o bem que quero, sinto muita dificuldade de ficar calado quando percebo posturas más prevalecendo sobre boas.

Inquieto-me, por exemplo, quando tomo conhecimento de ações imorais usadas para justificar fins morais. “Meios imorais não justificam fins morais, pois os fins preexistem nos meios”, dizia também o Dr. King.

Fico lendo o link do nosso site, feito pras pessoas se falarem, deixarem recados de carinho, amor, amizade – pra dizerem como e onde estão e,   o que encontro são denúncias vazias, palavras maldizentes, pessoas covardes que denunciam se escondendo no anonimato e, por outro lado, fica uma enorme interrogação com o procedimento dos denunciados:

Qual o “por que” do silêncio? Será que onde há fumaça, há fogo?

Políticos – Por que e para que tê-los? Pra que servem?

A inquietação fica ainda maior quando tomo conhecimento do que ocorre no Congresso Nacional, na Casa Branca, em Israel…

Guerras – Por que os senhores da guerra, os responsáveis por elas não vão pro “front” lutar, pegar nas armas?

Por que pelo menos não seguem o pensamento do poeta e não trocam as bombas, metralhadoras, fuzis, etc., por facões?

Mas pior é quando presencio ou ouço a fala dos nossos políticos em época de campanhas para eleições, citando com ares de autoridade, o quanto são bons o suficiente para mudarem os montes de lugar, se necessário;

Ou o quanto já fizeram do nada que já foi feito.

Que “sepulcros caiados!”

 

Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; não, não; pois o que passa daí, vem do Maligno”.

 “Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado”,

Que incoerência!

É, portanto, a consciência que temos, pela sorte que tivemos de termos um pouquinho mais de cultura, que alimenta ainda mais meu incômodo diante do silêncio dos bons.

Ficamos em silêncio, presos em nossos colégios e faculdades, em nossas igrejas, em nossos problemas, olhando pros nossos umbigos e esquecendo de que “a fé sem obras é morta”.

Envelhecidos, ficamos em casa “contando o nosso vil metal”, de barrigas supostamente cheias, comentando os horrores do mundo sentados no sofá e assistindo a tudo pela TV, já quase digital, imobilizados pelo medo de perdermos o que pensamos que temos, pois o que pode ser roubado, perdido, não temos verdadeiramente.

Sociedade alienada e sem alternativas, enfraquecida e  podre.

Que assim nos tornamos pessoas inúteis, recuso-me a afirmar, mas que assim nos parecemos com inúteis, afirmo plenamente. (parodiando nosso Raul)

Temo estarmos sendo regidos pela filosofia fundamentada nomais vale um covarde vivo do que um herói morto”, em vez dese o grão de trigo caindo em terra não morrer, fica só, mas se morrer, dá muito fruto

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2 Comentários

  • LINDAS PALAVRAS
    É DE PESSOAS COM TAMANHA INTELIGÊNCIA QUE ESTA CIDADE QUE AMO TANTO PRECISA .
    JUNTE-SE A NÓS NA LUTA :
    UMA NOVA CONDEÚBA É POSSÍVEL

    UM FORTE ABRAÇO

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  • Quanta surpresa! Tanto tempo depois,ter o privilégio de te encontrar com tanto amor no coraçao,em paz consigo mesmo,com os amigos que aí ainda estao,com os que foram prá perto de deus.Com toda sinceridade,fico muito feliz!

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